Novas tecnologias
Por Juan Garrido e Marcos Rogério Lopes, para o Valor, de São Paulo
26/08/2008
Fonte: Valoronline
26/08/2008
Fonte: Valoronline
O crescimento de 2,5% na produção física de embalagens previsto para 2008 no mínimo replica os 2,1% de expansão de 2007 e começa a inverter uma lógica que vinha sendo característica do setor nos últimos anos: alternância de um período favorável e outro de retrocesso. A análise é do presidente da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), Paulo Sérgio Peres, para quem esse movimento é condizente com um crescimento sustentável e deve estimular as empresas produtoras de invólucros a acelerar seus planos de investimento em inovação tecnológica e design "amigável" (que atenda a aspectos de proteção, transporte e meio ambiente).
Em sua visão, a indústria de embalagem tende a adequar-se cada vez mais à cadeia de suprimento inteira, principalmente em relação à automação das linhas de produção das mais variadas empresas usuárias. "A embalagem é encarada agora como ´sistema´, ou seja, pensa-se no produto - manufaturado ou natural - desde sua saída do ponto de origem até a chegada às mãos do consumidor final", observa Peres.
Ainda que a Abre não tenha levantado os números dos investimentos em inovação tecnológica previstos para 2008, Alfried Karl Plöger, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) - setor em que a área de embalagem representa 46% do total da produção -, informa que nos dois anos que antecederam 2006 a indústria gráfica investiu algo como US$ 300 milhões ao ano. E se em 2006 os investimentos aumentaram para US$ 420 milhões, em 2007 o salto foi brutal: US$ 1,2 bilhão. Dose que deve se repetir em 2008, quando são estimados outros US$ 1,3 bilhão em inversões. "Isso reflete uma boa expectativa econômica", qualifica ele, ressaltando que a embalagem impressa representa um fortíssimo elemento de vendas por impulso.
Segundo Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), mesmo com uma possível acomodação no ritmo de crescimento da demanda interna de bens de consumo, materiais de construção e insumos agropecuários no segundo semestre, os fabricantes nacionais de embalagem deverão obter receitas de R$ 34,7 bilhões em 2008, frente aos R$ 32,5 bilhões de 2007. Ou seja, 6,7% de aumento. A FGV realiza há 11 anos, com exclusividade para a Abre, um estudo sobre o setor de embalagem - considerado o termômetro da atividade industrial brasileira -, sempre divulgado no mês de agosto de cada ano. "Se a demanda está aquecida, significa que o setor está ocupando a sua capacidade instalada, o que vai determinar, na seqüência, as decisões de investimento", diz.
De fato, em julho, a utilização da capacidade era de 88%. Tudo isso produz efeito positivo também sobre a oferta de emprego formal, que registrou em 30 de junho a respeitável marca de 200 mil pessoas ocupadas.
Os dados da pesquisa apresentada por Quadros no último dia 20 (relativos ao primeiro semestre de 2008) poderiam, no entanto, ser interpretados como um indicativo de que o setor chegaria ao fim do ano com um crescimento explosivo. A expansão da produção física de embalagem cravou nada menos que 6,24% no primeiro semestre de 2008 (magros 1,7% no primeiro trimestre, mas vistosos 10,8% no segundo trimestre), acumulando um índice de expansão de 4,57% nos últimos 12 meses, a melhor marca desde o segundo trimestre de 2005. "Mas a taxa destes primeiros seis meses contém alguns elementos que provavelmente não vão se repetir no decorrer do segundo semestre, e não é, portanto, indício de uma tendência."
Os dados da pesquisa apresentada por Quadros no último dia 20 (relativos ao primeiro semestre de 2008) poderiam, no entanto, ser interpretados como um indicativo de que o setor chegaria ao fim do ano com um crescimento explosivo. A expansão da produção física de embalagem cravou nada menos que 6,24% no primeiro semestre de 2008 (magros 1,7% no primeiro trimestre, mas vistosos 10,8% no segundo trimestre), acumulando um índice de expansão de 4,57% nos últimos 12 meses, a melhor marca desde o segundo trimestre de 2005. "Mas a taxa destes primeiros seis meses contém alguns elementos que provavelmente não vão se repetir no decorrer do segundo semestre, e não é, portanto, indício de uma tendência."
O especialista entende que a variação de 10,8% do segundo trimestre em relação a igual período de 2007 representou algo ocasional e sem sustentação no mercado interno. "Seria preciso que o Brasil tivesse registrado um boom generalizado de consumo, o que na verdade não ocorreu", diz. Para decifrar essa charada é necessário considerar o enorme crescimento da produção física de embalagens metálicas (latas). As latas tiveram expansão de crescimento semestral de 20,3%. Para se ter uma melhor dimensão desse resultado, basta citar que a indústria de embalagem de papel e papelão cresceu 2,78% no semestre e a indústria de embalagens plásticas, 1,94%.
O bom momento vivido pela indústria incentiva investimentos em novos materiais. A Braskem anunciou no ano passado a produção do primeiro polietileno a partir do etanol de cana-de-açúcar certificado mundialmente. O produto, entretanto, só deve chegar ao mercado no início de 2010. A expectativa é de que entrem no mercado anualmente 200 mil toneladas por ano do novo polietileno. "O plástico verde teria as mesmas características que o de petróleo; logo, não seria biodegradável. Ele também necessitaria do gerenciamento dos resíduos sólidos, de um amplo programa de reciclagem", explica a diretora-executiva da Plastivida, Silvia Rolim.
A Basf S.A. está colocando no mercado o Ecobras, composto 50% de fonte fóssil (petróleo) e 50% de fonte renovável (amido de milho ou mandioca). Mais flexível que o PLA, (Polylactic Acid) - criado pela Cargill a partir do amido de milho e que vem sendo testado em redes americanas de varejo, na fabricação de sacolas de compras - o Ecobras poderá ser utilizado em vários tipos de embalagens.
"O processo de homologação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está em andamento e, em breve, estará à disposição do consumidor", diz Letícia Mendonça, gerente de especialidades estirênicas da Basf. Ela explica, no entanto, que a resina tem, como todas, suas limitações: não possui resistência térmica alta suficiente para que as embalagens possam ser colocadas no forno microondas.
O Ecobras é produzido no Brasil e é o resultado de uma parceria entre a Basf e a subsidiária brasileira da Corn Products International.
Há consenso entre os especialistas da área que, independentemente de qual matéria-prima for utilizada, as indústrias vão ser obrigadas - por questões financeiras e ambientais - a reduzir o peso dos materiais que envolvem alimentos, bebidas, etc. Cada grama a menos por recipiente representa menor impacto ambiental, peso inferior dos caminhões de transporte e outras vantagens que causam enormes efeitos na economia. Dos cerca de 4 milhões de toneladas de plástico produzidos anualmente no Brasil, 50% são transformados em embalagens.
Há consenso entre os especialistas da área que, independentemente de qual matéria-prima for utilizada, as indústrias vão ser obrigadas - por questões financeiras e ambientais - a reduzir o peso dos materiais que envolvem alimentos, bebidas, etc. Cada grama a menos por recipiente representa menor impacto ambiental, peso inferior dos caminhões de transporte e outras vantagens que causam enormes efeitos na economia. Dos cerca de 4 milhões de toneladas de plástico produzidos anualmente no Brasil, 50% são transformados em embalagens.
"Há 20 anos, as embalagens tinham espessura pelo menos 30% a 40% maior", diz o gerente da Mazda Embalagens, Paulo Brites. "E está caindo cada vez mais", completa.
A Tetra Pak é exemplo de indústria que ao aprimorar a produção e a reutilização reduziu o impacto ambiental. Ao lado de algumas parceiras, a empresa investiu na tecnologia de reciclagem a plasma, que, após a retirada do papel, permite a separação do plástico e do alumínio das embalagens. Após o processo, os materiais voltam para a cadeia produtiva.
Os polímeros PET também têm avançado em qualidade. Segundo Hermes Contesini, responsável pela área de relações com o mercado da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), há dez anos, as embalagens eram menores e bem mais impuras que as atuais. Uma garrafa de refrigerante de 2 litros, por exemplo, pesava 60 gramas aproximadamente. "Atualmente, o mesmo vasilhame está entre 45 e 50 gramas. E a tendência é diminuir cada vez mais." A reciclagem, de acordo com ele, também cresce a cada ano.
Dados da Abipet mostram que a reciclagem do material teve crescimento de 14 vezes no período de 1994 a 2007. No ano passado, o setor reciclou 53,2% de tudo o que foi consumido, ou 230 mil toneladas de PET - o equivalente a 5 bilhões de garrafas de 2 litros.
O professor Reinaldo Bazito, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), acredita que todas as novas tecnologias terão espaço, mas é necessário um amplo estudo sobre o ciclo de vida de cada material para apurar sua contribuição para o meio ambiente e o mercado. Enquanto inovam no mercado interno, as empresas de embalagens também alçam vôos mais altos no comércio exterior.
As exportações de embalagens registraram aumento de 22,25% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2007, com um faturamento de US$ 280 milhões. O valor pode chegar a US$ 560 milhões no ano, uma expansão de perto de 20% em relação aos US$ 480 milhões de 2007. Os embarques de embalagens metálicas se expandiram 37,37%, os de papel e papelão, 15,19%, madeira, 0,32% e vidro recuaram 6,72%. Enquanto as vendas externas de latas de ferro e aço cresceram 110,95% no período, as de latas de alumínio foram além: 456,68%. "Talvez esse recorde não se repita e tenha sido apenas uma oportunidade momentânea", avalia Salomão Quadros.
No segmento de embalagens de papel, papelão e cartão - constituído por cinco tipos de produtos -, o item que se destaca no primeiro semestre é o de caixas e cartonagens dobráveis (que representa 28,64% do segmento), com 10,79% de variação positiva em relação a igual período de 2007. O item caixas de papelão ondulado, o mais importante do segmento (com 41,21% do total) teve uma expansão modesta: 1,24%. Pior desempenho tiveram as chapas de papelão ondulado (5,46% do total do segmento), que tinham ido muito bem no primeiro semestre de 2007 - com 11,93% de crescimento então -, mas ficaram no negativo no atual período: -1,58%.


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