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terça-feira, agosto 26, 2008

DESAFIOS PARA UM FUTURO PROMISSOR

26/08/2008
Fonte: Valoronline


PERSPECTIVAS
por JUAN GARRIDO
Para poder atender o crescimento do mercado interno e aumentar as exportações, as empresas vão investir em novas plantas industriais e modernização de máquinas

Não há como duvidar que a cadeia produtiva do plástico, que passa por três gerações de indústrias e figura entre as mais dinâmicas da economia, esteja fadada a um crescimento importante nos próximos anos. Afinal, é inevitável que o plástico continue substituindo, com vantagens, materiais como o vidro, metal, madeira e papel, sobretudo tendo uma forte participação na indústria de embalagem - segmento responsável por mais de um terço do total de resinas termoplásticas transformadas no país. Aplicações não menos importantes dos materiais plásticos podem ser vistas nas utilidades domésticas, na construção civil, nos calçados e nos brinquedos. A matéria prima também é utilizada em produtos mais sofisticados nos setores automotivo e eletroeletrônico.

O potencial de expansão do setor pode ser aquilatado ainda pela elasticidade de seu crescimento, cerca de três vezes e meia maior do que o do Produto Interno Bruto (PIB) do país, conforme média verificada numa série histórica de dez anos. A aposta num futuro gordo se insere numa lógica que parece contradizer aquela elasticidade, mas que é apenas um contraponto típico de país de economia emergente: o consumo anual per capita de plástico no Brasil continua baixo. Se a era do plástico é uma realidade global e o consumo aqui é pequeno, certamente haverá expansão no futuro.



Em 2003, o brasileiro consumiu 22 quilos de plástico. Segundo Merheg Cachum, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) - que reúne as 7.898 empresas transformadoras espalhadas pelo Brasil, nos Estados Unidos o consumo per capita anual varia entre 140 e 150 quilos. Em países da Europa, como a Bélgica, atinge 180 quilos. “Até nossos vizinhos chilenos e argentinos consomem mais plástico que a gente, compara.


No caso das embalagens, o universo empresarial brasileiro é de 4.500 fábricas, considerando-se os segmentos de plásticos, metais, vidro e madeira. Pelos cálculos de Fábio Mestriner, presidente da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), o tamanho do negócio para 2004 é de R$ 26 bilhões em comparação a R$ 23,3 bilhões em 2003. “As embalagens de plástico representam 35% disso, coteja. Segundo ele, pelo fato de o segmento ter alcançado um padrão alto de avanço tecnológico e competitividade, o Brasil é hoje um exportador de embalagem, com destaque para os filmes de plástico. Estes, por serem despachados em bobinas, contam com uma logística favorável. “De 2002 para 2003, as exportações cresceram 30% e no primeiro semestre de 2004 aumentaram 13% frente ao mesmo período de 2003”.


As exportações da indústria brasileira de transformação de plástico deverão fechar 2004 em US$ 830 milhões, 30% maiores que as de 2003,conforme projeções do setor. As vendas externas atingiram US$ 370 milhões no primeiro semestre de 2004, resultado 21% superior ao do mesmo período de 2003. Em volume, as exportações passaram de 97 mil toneladas para 119 mil toneladas, de janeiro a junho de 2004, alta de 21,5% em relação ao primeiro semestre de 2003. Segundo a Abiplast, desse montante, 15% foram para a União Européia; 31% para países do Mercosul e 18% para os Estados Unidos.



Alencar, da Braskem: “Cadeia produtiva é intensiva no uso de matéria-prima”


A partir do final de 2003, a cadeia produtiva do plástico passou a apostar suas fichas no Programa Export Plastic Nacional, que prevê o incremento das exportações de produtos plásticos com maior valor agregado.
No ano passado, o Brasil importou US$ 827 milhões em plásticos e exportou US$ 638 milhões, um déficit de US$ 189 milhões. “Por meio do Export Plastic, pretendemos obter um superávit de US$ 1 bilhão na balança, em mais ou menos dez anos, prevê Cachum.


Os três elos que compõem a cadeia produtiva do plástico são as centrais petroquímicas, as empresas produtoras de resinas termoplásticas e as transformadoras. Além das 7.899 empresas de transformação do elo final da cadeia, há no Brasil três centrais petroquímicas - Braskem, Petroquímica União (PQU) e Copesul - e mais 15 empresas produtoras de resinas termoplásticas (entre elas, a própria Braskem, Polibrasil, Dow, Basf e Solvay).
Pelos dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o consumo nacional das resinas termoplásticas em 2003, de 3,8 milhões de toneladas, foi menor do que o registrado em cada um dos três anos anteriores (3,9 milhões em 2002, 3,8 milhões em 2001 e 3,8 milhões em 2000). Um mau desempenho esperado, numa economia parada.


No final do primeiro semestre de 2004, com a economia recobrando o fôlego, o quadro setorial apresentava tons mais vivos. Ao computarse os meses de janeiro a julho, as vendas internas das resinas alçavam um vôo de 19,42% em relação a igual período de 2003. “O mês de julho, aliás, foi surpreendentemente bom”, aponta Guilherme Duque Estrada, vice-presidente executivo da Abiquim, que congrega, entre outros segmentos, as centrais petroquímicas e as empresas produtoras de termoplásticos.



A indústria petroquímica é parte da indústria química. Caracteriza-se por utilizar um derivado de petróleo (a nafta) ou o gás natural como matérias-primas básicas. No Brasil, praticamente só se usa nafta. Em breve se passará a processar o gás natural, com o início da produção da Rio Polímeros, prevista para o final de 2004 no Rio de Janeiro. A nova utilização crescerá mais depois da conclusão de uma planta que a Braskem está projetando para 2009, junto com a Petrobras, num novo pólo petroquímico na fronteira entre a Bolívia e Brasil.



Merheg Cachum,da Abiplast: oconsumo de plástico no Brasil é muito baixo

Por meio do craqueamento da nafta, as centrais petroquímicas produzem os gases eteno (ou etileno) e propeno. Esses fluídos passam por um processo de polimerização para serem transformados em resinas termoplásticas nas indústrias do segundo elo. Os termoplásticos são chamados de “bolinhas” no jargão do setor, por se apresentarem na forma de grãos. Os principais são os polietilenos de baixa densidade, de baixa densidade linear e de alta densidade, o polipropileno, o poliestireno, o PVC (mesma estrutura do polietileno, com exceção da presença do cloro), e o PET (polietileno tereftalato).


A cadeia do plástico tem aspectos peculiares. Alexandrino de Alencar, vice-presidente de relações institucionais da Braskem, lembra que ela é de capital intensivo no elo petroquímico e usa muita mão-deobra na ponta transformadora. “Uma característica que une os três elos é o fato de ser uma cadeia marcadamente intensiva em matériaprima, cita. A Braskem, com 13 fábricas em Alagoas, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul, é a maior empresa petroquímica da América Latina e integra em sua estrutura de produção a primeira e segunda gerações da cadeia do plástico. Produz, além dos petroquímicos básicos eteno e propeno, as resinas termoplásticas polietileno, polipropileno, PVC e PET.


As empresas produtoras de resinas exportam de 15% a 20% da sua produção. “Com a volta do crescimento econômico em 2004, parte do volume exportado passou a ser direcionado para o mercado interno, sem o que faltaria matéria-prima para os transformadores, atesta José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Sindicato das Indústrias de Resinas Sintéticas do Estado de São Paulo (Siresp).


Em seu conjunto, a indústria do plástico teve um faturamento de R$ 13,5 bilhões no primeiro semestre de 2004 em comparação a R$ 13,5 bilhões em igual período de 2003. O problema dos preços oscilantes das matérias-primas atreladas a um mercado mundial de petróleo em crise preocupa os transformadores. “O alto preço da nafta é, sem sombra de dúvida, nosso gargalo mais importante, diz Cachum. Para ele, a nafta fornecida pela Petrobras sobe de preço com muita freqüência e isso é desastroso para o setor. “Os transformadores não têm condições de repassar esses aumentos aos clientes, até porque nosso segmento tem quase 8 mil empresas e dá para imaginar a luta e concorrência que derivam daí.” Ele defende que o governo passe a dar um tratamento diferenciado para a nafta.


Depois de uma fase de demanda interna reprimida, os transformadores precisam investir para surfar na onda positiva da economia em 2004. Estão sendo projetados investimentos de US$ 600 milhões até o final do ano só para aquisição de máquinas e equipamentos. A ordem é expandir e modernizar as fábricas. Em 2003, foram aplicados US$ 400 milhões. “Nosso parque industrial conta com um grande número de máquinas que têm mais de dez anos de uso, diz Cachum.




Empresas do setor estão procedendo a desgargalamentos (investimentos marginais em ampliação de suas instalações existentes) para aumentar sua produção. Segundo Roriz, mesmo as produtoras de resinas termoplásticas precisarão investir para aumentar a produção. “Até 2012 estão previstas inversões de no mínimo US$ 8 bilhões em novas plantas industriais, diz, com base em dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
No Brasil são fabricadas quase todas as resinas termoplásticas mais importantes. Mas há matérias-primas usadas pela indústria do plástico que, mesmo produzidas no país, são às vezes importadas por uma questão de preço. Segundo Guilherme Duque Estrada de Moraes, vicepresidente da Abiquim, as importações podem obedecer também a razões prosaicas, como as negociações entre companhias. “A Dow, por exemplo, tem uma planta grande de polietileno na Argentina e parte da produção de lá é para vender aqui, cita. “Em compensação, é comum acontecer o contrário, daqui as companhias exportarem para suas outras praças.


Para suprir carências de resinas termoplásticas, as empresas teriam que investir mais em pesquisa tecnológica. Duque Estrada admite que o custo é alto e “não se inventa muita coisa nessa área de imediato. Ele lembra que para construir uma nova planta de resinas aqui, o melhor negócio é comprar a tecnologia existente lá fora. “Quem desenvolve isso no mundo - e são poucas as empresas, o faz para si e também para vender a outros países, senão não consegue pagar os custos desse desenvolvimento, afirma.


Isso não significa que não existam no Brasil centros de pesquisa avançados, como o da Braskem, em Triunfo, no Rio Grande do Sul. Lá a empresa mantém ativos entre laboratórios, plantas-piloto e hardwares variados de US$ 100 milhões. “Investimos cerca de US$ 15 milhões por ano em pesquisa e inovação tecnológica, empregamos 150 especialistas e somos detentores de cerca de 110 patentes, diz Alexandrino de Alencar.
Alencar admite que para uma empresa brasileira é difícil criar produtos revolucionários como as concorrentes multinacionais, casos da Dow e Basf. A Braskem busca pontualmente a “autonomia tecnológica” que lhe permita tomar as melhores decisões de negócios com as próprias capacitações. “Outra coisa que temos feito é adaptar as nossas aplicações à realidade do mercado brasileiro, ao contrário dos gigantes multinacionais que olham o mundo como se fosse uma coisa só, diz. Para o vice-presidente, esse é um diferencial de relacionamento da Braskem com seus clientes.

Novas tecnologias

Por Juan Garrido e Marcos Rogério Lopes, para o Valor, de São Paulo
26/08/2008
Fonte: Valoronline


O crescimento de 2,5% na produção física de embalagens previsto para 2008 no mínimo replica os 2,1% de expansão de 2007 e começa a inverter uma lógica que vinha sendo característica do setor nos últimos anos: alternância de um período favorável e outro de retrocesso. A análise é do presidente da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), Paulo Sérgio Peres, para quem esse movimento é condizente com um crescimento sustentável e deve estimular as empresas produtoras de invólucros a acelerar seus planos de investimento em inovação tecnológica e design "amigável" (que atenda a aspectos de proteção, transporte e meio ambiente).
Em sua visão, a indústria de embalagem tende a adequar-se cada vez mais à cadeia de suprimento inteira, principalmente em relação à automação das linhas de produção das mais variadas empresas usuárias. "A embalagem é encarada agora como ´sistema´, ou seja, pensa-se no produto - manufaturado ou natural - desde sua saída do ponto de origem até a chegada às mãos do consumidor final", observa Peres.
Ainda que a Abre não tenha levantado os números dos investimentos em inovação tecnológica previstos para 2008, Alfried Karl Plöger, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) - setor em que a área de embalagem representa 46% do total da produção -, informa que nos dois anos que antecederam 2006 a indústria gráfica investiu algo como US$ 300 milhões ao ano. E se em 2006 os investimentos aumentaram para US$ 420 milhões, em 2007 o salto foi brutal: US$ 1,2 bilhão. Dose que deve se repetir em 2008, quando são estimados outros US$ 1,3 bilhão em inversões. "Isso reflete uma boa expectativa econômica", qualifica ele, ressaltando que a embalagem impressa representa um fortíssimo elemento de vendas por impulso.
Segundo Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), mesmo com uma possível acomodação no ritmo de crescimento da demanda interna de bens de consumo, materiais de construção e insumos agropecuários no segundo semestre, os fabricantes nacionais de embalagem deverão obter receitas de R$ 34,7 bilhões em 2008, frente aos R$ 32,5 bilhões de 2007. Ou seja, 6,7% de aumento. A FGV realiza há 11 anos, com exclusividade para a Abre, um estudo sobre o setor de embalagem - considerado o termômetro da atividade industrial brasileira -, sempre divulgado no mês de agosto de cada ano. "Se a demanda está aquecida, significa que o setor está ocupando a sua capacidade instalada, o que vai determinar, na seqüência, as decisões de investimento", diz.
De fato, em julho, a utilização da capacidade era de 88%. Tudo isso produz efeito positivo também sobre a oferta de emprego formal, que registrou em 30 de junho a respeitável marca de 200 mil pessoas ocupadas.
Os dados da pesquisa apresentada por Quadros no último dia 20 (relativos ao primeiro semestre de 2008) poderiam, no entanto, ser interpretados como um indicativo de que o setor chegaria ao fim do ano com um crescimento explosivo. A expansão da produção física de embalagem cravou nada menos que 6,24% no primeiro semestre de 2008 (magros 1,7% no primeiro trimestre, mas vistosos 10,8% no segundo trimestre), acumulando um índice de expansão de 4,57% nos últimos 12 meses, a melhor marca desde o segundo trimestre de 2005. "Mas a taxa destes primeiros seis meses contém alguns elementos que provavelmente não vão se repetir no decorrer do segundo semestre, e não é, portanto, indício de uma tendência."
O especialista entende que a variação de 10,8% do segundo trimestre em relação a igual período de 2007 representou algo ocasional e sem sustentação no mercado interno. "Seria preciso que o Brasil tivesse registrado um boom generalizado de consumo, o que na verdade não ocorreu", diz. Para decifrar essa charada é necessário considerar o enorme crescimento da produção física de embalagens metálicas (latas). As latas tiveram expansão de crescimento semestral de 20,3%. Para se ter uma melhor dimensão desse resultado, basta citar que a indústria de embalagem de papel e papelão cresceu 2,78% no semestre e a indústria de embalagens plásticas, 1,94%.
O bom momento vivido pela indústria incentiva investimentos em novos materiais. A Braskem anunciou no ano passado a produção do primeiro polietileno a partir do etanol de cana-de-açúcar certificado mundialmente. O produto, entretanto, só deve chegar ao mercado no início de 2010. A expectativa é de que entrem no mercado anualmente 200 mil toneladas por ano do novo polietileno. "O plástico verde teria as mesmas características que o de petróleo; logo, não seria biodegradável. Ele também necessitaria do gerenciamento dos resíduos sólidos, de um amplo programa de reciclagem", explica a diretora-executiva da Plastivida, Silvia Rolim.
A Basf S.A. está colocando no mercado o Ecobras, composto 50% de fonte fóssil (petróleo) e 50% de fonte renovável (amido de milho ou mandioca). Mais flexível que o PLA, (Polylactic Acid) - criado pela Cargill a partir do amido de milho e que vem sendo testado em redes americanas de varejo, na fabricação de sacolas de compras - o Ecobras poderá ser utilizado em vários tipos de embalagens.
"O processo de homologação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está em andamento e, em breve, estará à disposição do consumidor", diz Letícia Mendonça, gerente de especialidades estirênicas da Basf. Ela explica, no entanto, que a resina tem, como todas, suas limitações: não possui resistência térmica alta suficiente para que as embalagens possam ser colocadas no forno microondas.
O Ecobras é produzido no Brasil e é o resultado de uma parceria entre a Basf e a subsidiária brasileira da Corn Products International.
Há consenso entre os especialistas da área que, independentemente de qual matéria-prima for utilizada, as indústrias vão ser obrigadas - por questões financeiras e ambientais - a reduzir o peso dos materiais que envolvem alimentos, bebidas, etc. Cada grama a menos por recipiente representa menor impacto ambiental, peso inferior dos caminhões de transporte e outras vantagens que causam enormes efeitos na economia. Dos cerca de 4 milhões de toneladas de plástico produzidos anualmente no Brasil, 50% são transformados em embalagens.
"Há 20 anos, as embalagens tinham espessura pelo menos 30% a 40% maior", diz o gerente da Mazda Embalagens, Paulo Brites. "E está caindo cada vez mais", completa.
A Tetra Pak é exemplo de indústria que ao aprimorar a produção e a reutilização reduziu o impacto ambiental. Ao lado de algumas parceiras, a empresa investiu na tecnologia de reciclagem a plasma, que, após a retirada do papel, permite a separação do plástico e do alumínio das embalagens. Após o processo, os materiais voltam para a cadeia produtiva.
Os polímeros PET também têm avançado em qualidade. Segundo Hermes Contesini, responsável pela área de relações com o mercado da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), há dez anos, as embalagens eram menores e bem mais impuras que as atuais. Uma garrafa de refrigerante de 2 litros, por exemplo, pesava 60 gramas aproximadamente. "Atualmente, o mesmo vasilhame está entre 45 e 50 gramas. E a tendência é diminuir cada vez mais." A reciclagem, de acordo com ele, também cresce a cada ano.
Dados da Abipet mostram que a reciclagem do material teve crescimento de 14 vezes no período de 1994 a 2007. No ano passado, o setor reciclou 53,2% de tudo o que foi consumido, ou 230 mil toneladas de PET - o equivalente a 5 bilhões de garrafas de 2 litros.
O professor Reinaldo Bazito, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), acredita que todas as novas tecnologias terão espaço, mas é necessário um amplo estudo sobre o ciclo de vida de cada material para apurar sua contribuição para o meio ambiente e o mercado. Enquanto inovam no mercado interno, as empresas de embalagens também alçam vôos mais altos no comércio exterior.
As exportações de embalagens registraram aumento de 22,25% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2007, com um faturamento de US$ 280 milhões. O valor pode chegar a US$ 560 milhões no ano, uma expansão de perto de 20% em relação aos US$ 480 milhões de 2007. Os embarques de embalagens metálicas se expandiram 37,37%, os de papel e papelão, 15,19%, madeira, 0,32% e vidro recuaram 6,72%. Enquanto as vendas externas de latas de ferro e aço cresceram 110,95% no período, as de latas de alumínio foram além: 456,68%. "Talvez esse recorde não se repita e tenha sido apenas uma oportunidade momentânea", avalia Salomão Quadros.
No segmento de embalagens de papel, papelão e cartão - constituído por cinco tipos de produtos -, o item que se destaca no primeiro semestre é o de caixas e cartonagens dobráveis (que representa 28,64% do segmento), com 10,79% de variação positiva em relação a igual período de 2007. O item caixas de papelão ondulado, o mais importante do segmento (com 41,21% do total) teve uma expansão modesta: 1,24%. Pior desempenho tiveram as chapas de papelão ondulado (5,46% do total do segmento), que tinham ido muito bem no primeiro semestre de 2007 - com 11,93% de crescimento então -, mas ficaram no negativo no atual período: -1,58%.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Planejamento e persistência, lemas do marqueteiro Branson

Célia de Gouvêa Franco, De São Paulo
21/08/2008
Fonte: Valoronline

AP

Mestre em jogadas de marketing, Branson revela em seu livro que também privilegia o planejamento estratégico



"Acredite em Você e Vá em Frente

O Segredo do Sucesso de uma Mente Milionária" - Richard Branson, Sá Editora, tradução: Marcia Tabacow, 110 págs. R$ 27,90
Possível aprender como ganhar dinheiro, muito dinheiro, e ser bem-sucedido no mundo empresarial? Se a resposta for negativa, por que há, então, tanto interesse em livros que contam as "lições de vida" de empresários que, em muitos casos, saíram do quase nada para se tornar bilionários, como é o caso do inglês Richard Branson, fundador de empresas como a cadeia de lojas de discos Virgin e da companhia aérea Virgin?
Talvez o mais correto seja dizer que há sempre otimistas ou esperançosos que acreditam na possibilidade de descobrir algum segredo, um truque, um atalho que facilite o pedregoso caminho da ascensão social e econômica. Também há leitores que se deixam encantar por essas fábulas modernas, as histórias de vencedores que conseguem impor-se aos dragões e ficam com a mocinha no final da história, com a esperança de que o mesmo possa se repetir nas suas vidas. Mas não há dúvida de que relatos de glórias ou fracassos reais são inspiradores, sejam contados por e sobre heróis ou homens de negócios.
Para quem está em busca de receitas mais fáceis para vencer na vida, o livro de Branson não poderia ser mais direto, mas, claro, não revela como se consegue o milagre ou a mágica para se passar de pobretão para endinheirado. Curta, simples, com uma linguagem corriqueira, é uma obra que consome pouco tempo do leitor. São capítulos de poucas páginas cada um, possíveis de serem lidos de uma assentada só. E cada um deles já traz no título a lição que Branson quer transmitir: "Faça acontecer". Ou "Desafie-se. E Ainda Faça Algo Bom."
Nascido em Londres em 1950, Richard Branson começou cedo suas investida no mundo dos negócios. Aos 15 anos, criou uma revista - "Student" - que, surpreendentemente, deu certo. A história da publicação, contada logo no primeiro capítulo do seu livro, é um exemplo perfeito dos princípios que, segundo Branson, o levaram tantas vezes ao bom êxito. Primeiro, planejamento. Apesar de ter sido sempre ousado, iniciando empreendimentos considerados de risco, e um marqueteiro de marca maior, dado a grandes lances publicitários, Branson é minucioso ao programar suas ações.
No caso da revista "Student", "calculei cuidadosamente", conta ele: isso significou planejar os gastos com papel e impressão, receitas com vendas aos leitores e com publicidade. E mais: ele e um amigo escreveram, durante quase dois anos, centenas de cartas oferecendo espaço para potenciais anunciantes. Resumo da história: depois de investirem quatro libras (emprestadas pela mãe de Branson) em selos, o primeiro cheque referente a anúncios foi de 250 libras.
A segunda "lição" de Branson é a persistência. Esse é, na verdade, o mote seminal de todo o seu livro. Não desistir nunca. Se o correio entra em greve e não for possível entregar a revista, é preciso buscar outra saída, seja lá qual for. O princípio, inculcado em Branson pela mãe, como ele deixa claro na sua narrativa, fez com que ele se saísse bem inclusive nas suas aventuras espetaculosas, como nas viagens de balões, em que o vento se tornou desfavorável e ele teve que usar a criatividade, mas nunca desistindo, sem se importar muito com as reações de espanto ou curiosidade. Em resumo, exatamente o que diz o título original do livro: "Screw It, Let's Do It". Deselegante, mas fiel a Branson.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Companhias dão prioridade a ações comunitárias

Fonte: Valoronline
Célia Rosemblum, de São Paulo

20/08/2008

Nos quesitos responsabilidade social corporativa e ações ambientais, as empresas brasileiras estão bem na foto. Incluídas pela primeira vez no levantamento "Workplace Survey", realizado pela multinacional de recursos humanos Robert Half em 17 países, as companhias verde-amarelas ostentam indicadores próximos aos da França, do Japão e da Bélgica quanto à adoção de políticas "verdes" nos negócios.
No Brasil também é notável o engajamento em práticas de responsabilidade social corporativa e o uso disseminado da reciclagem, ambos praticados por 65% dos entrevistados. Fábio Saad, gerente da Robert Half no Brasil, acredita que essa atenção à comunidade decorre, em grande parte, "por conta da situação econômica", característica de países em desenvolvimento.
Na área ambiental, nota Saad, as empresas brasileiras "estão mais atreladas à redução de custos do que a uma visão mais sustentável". A postura transparece na importância atribuída à necessidade de incluir o impacto das questões ambientais em seus balanços (33%) e na avaliação de 83% de que a adoção de uma gestão verde tem o poder de melhorar a imagem da empresa junto a investidores e potenciais investidores. A pesquisa foi feita em março e abril, com 6 mil executivos de 17 países.