Para o RH a receita é cortar custo sem perder a estratégia
Rafael Sigollo e Samantha Maia, de São Paulo
"Será preciso melhorar de forma contínua a produtividade, o desempenho e os processos, além de racionalizar o uso dos recursos. O envolvimento do colaborador nesse quadro, aliás, é fundamental", afirma a superintendente de administração e relacionamento da Unimed Rio, Ana Maria Senna. O diretor executivo e gerente de RH do Bradesco, Milton Matsumoto, revela, inclusive, que a empresa orienta os funcionários a ficarem atentos quanto aos gastos desnecessários e evitar desperdícios. "Mas não vamos cortar nenhum beneficio pela importância que eles representam aos colaboradores e seus dependentes. São fatores de motivação e desejo para se dedicarem e continuarem trabalhando conosco."
Na Zanzini, a diretora de gestão de pessoas Denise Zanzini prevê, no máximo, o remanejamento de algumas posições, mas sem fazer cortes. "É importante passar esse sentimento de que a empresa os protege, que se preocupa com eles e seus empregos."
Janete Ana Ribeiro Vaz, diretora executiva do Laboratório Sabin, diz que a empresa não deverá demitir funcionários por conta da crise. "Acabamos de contratar 60 pessoas, e vamos contratar mais para atender à nossa expansão de 10 unidades em janeiro e fevereiro", diz a diretora.
Na Electrolux, Valéria Balasteguim, gerente corporativa de recursos humanos diz que apesar do grupo ter anunciado o corte de três mil pessoas mundialmente, no Brasil a empresa não deve mudar seus planos. "O único desligamento que tivemos foi o de 50 pessoas que trabalhavam temporariamente", afirma.
Carlos Ferreira, diretor de RH da Nasajon Sistemas, diz que no momento a empresa não pretende demitir funcionários, mas não descarta a possibilidade. "A crise nos pegou em um momento de expansão, e por enquanto não tiramos o pé do acelerador."
Investir em qualificação e treinamento também está nos planos das organizações eleitas como As Melhores na Gestão de Pessoas. A diferença é que, com a crise, a maioria dos programas terá foco na liderança e em setores estratégicos.
O diretor de RH da BV Financeira, Celso Marques de Oliveira, afirma que a capacitação de gestores é essencial e não será reduzida, pois são eles os responsáveis pela comunicação e desempenho das equipes. "Não podemos ficar chorando a crise, temos que enxergar nela uma oportunidade de crescer e conquistar novos mercados. As lideranças devem ter a percepção e a qualificação para isso", ressalta.
Estabelecer uma comunicação clara, objetiva e verdadeira com funcionários também faz parte da filosofia das empresas vencedoras e, além de ser outro fator importante de engajamento, também tranqüiliza a equipe em tempos de crise.
Na Plascar, a gerente de RH corporativo, Ana Lucia Aguiar Zacariotto, conta que existem várias linhas de comunicação na empresa, como a carta mensal do presidente, intranet, quadros de avisos, reuniões semanais com colaboradores, um informativo impresso e até estação interna de rádio. Além disso, ela destaca uma ação chamada RH em Movimento. "Todos os dias uma equipe de profissionais de recursos humanos visita algum setor da empresa para esclarecer dúvidas e discutir com os colaboradores qualquer questão que envolva o ambiente de trabalho, o emprego e a empresa."
Oliveira, da BV Financeira, destacou também o feedback e o monitoramento contínuo do clima entre os colaboradores como ferramentas para o engajamento.


