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quinta-feira, dezembro 18, 2008

Para o RH a receita é cortar custo sem perder a estratégia


Rafael Sigollo e Samantha Maia, de São Paulo

18/12/2008

Fonte: Valoronline

Na cerimônia de premiação das empresas eleitas na pesquisa As Melhores na Gestão de Pessoas realizada ontem na sede do Valor, os representantes da área de recursos humanos estiveram bastante alinhados em seu discurso. Embora preocupados com a crise econômica internacional e suas possíveis conseqüências para os negócios, eles estão elaborando planos estratégicos para enxugar gastos, tentando evitar as demissões e o corte de benefícios em 2009.


"Será preciso melhorar de forma contínua a produtividade, o desempenho e os processos, além de racionalizar o uso dos recursos. O envolvimento do colaborador nesse quadro, aliás, é fundamental", afirma a superintendente de administração e relacionamento da Unimed Rio, Ana Maria Senna.


O diretor executivo e gerente de RH do Bradesco, Milton Matsumoto, revela, inclusive, que a empresa orienta os funcionários a ficarem atentos quanto aos gastos desnecessários e evitar desperdícios. "Mas não vamos cortar nenhum beneficio pela importância que eles representam aos colaboradores e seus dependentes. São fatores de motivação e desejo para se dedicarem e continuarem trabalhando conosco."


Na Zanzini, a diretora de gestão de pessoas Denise Zanzini prevê, no máximo, o remanejamento de algumas posições, mas sem fazer cortes. "É importante passar esse sentimento de que a empresa os protege, que se preocupa com eles e seus empregos."


Janete Ana Ribeiro Vaz, diretora executiva do Laboratório Sabin, diz que a empresa não deverá demitir funcionários por conta da crise. "Acabamos de contratar 60 pessoas, e vamos contratar mais para atender à nossa expansão de 10 unidades em janeiro e fevereiro", diz a diretora.


Na Electrolux, Valéria Balasteguim, gerente corporativa de recursos humanos diz que apesar do grupo ter anunciado o corte de três mil pessoas mundialmente, no Brasil a empresa não deve mudar seus planos. "O único desligamento que tivemos foi o de 50 pessoas que trabalhavam temporariamente", afirma.


Carlos Ferreira, diretor de RH da Nasajon Sistemas, diz que no momento a empresa não pretende demitir funcionários, mas não descarta a possibilidade. "A crise nos pegou em um momento de expansão, e por enquanto não tiramos o pé do acelerador."


Investir em qualificação e treinamento também está nos planos das organizações eleitas como As Melhores na Gestão de Pessoas. A diferença é que, com a crise, a maioria dos programas terá foco na liderança e em setores estratégicos.


O diretor de RH da BV Financeira, Celso Marques de Oliveira, afirma que a capacitação de gestores é essencial e não será reduzida, pois são eles os responsáveis pela comunicação e desempenho das equipes. "Não podemos ficar chorando a crise, temos que enxergar nela uma oportunidade de crescer e conquistar novos mercados. As lideranças devem ter a percepção e a qualificação para isso", ressalta.


Estabelecer uma comunicação clara, objetiva e verdadeira com funcionários também faz parte da filosofia das empresas vencedoras e, além de ser outro fator importante de engajamento, também tranqüiliza a equipe em tempos de crise.


Na Plascar, a gerente de RH corporativo, Ana Lucia Aguiar Zacariotto, conta que existem várias linhas de comunicação na empresa, como a carta mensal do presidente, intranet, quadros de avisos, reuniões semanais com colaboradores, um informativo impresso e até estação interna de rádio. Além disso, ela destaca uma ação chamada RH em Movimento. "Todos os dias uma equipe de profissionais de recursos humanos visita algum setor da empresa para esclarecer dúvidas e discutir com os colaboradores qualquer questão que envolva o ambiente de trabalho, o emprego e a empresa."


Oliveira, da BV Financeira, destacou também o feedback e o monitoramento contínuo do clima entre os colaboradores como ferramentas para o engajamento.

Na crise é preciso mapear os melhores talentos

Stela Campos, de São Paulo
18/12/2008
Fonte: Valoronline

Num momento de crise, identificar aqueles com melhor desempenho, os líderes em potencial, os que ocupam posições estratégicas e tratá-los de forma diferenciada, ajudará a organização a atravessar esse período sem comprometer o futuro. Na hora de enxugar o quadro, a identificação desses grupos levará a companhia a fazer as opções certas. Desta forma, não correrá o risco de ver seus melhores profissionais na concorrência quando a economia se recuperar.

Esta é a mensagem de Thierry de Beyssac, diretor-geral de consultoria para a América Latina da Hewitt Associates. O consultor francês proferiu ontem palestra na cerimônia de entrega do prêmio às empresas que se destacaram na pesquisa As Melhores na Gestão de Pessoas. Antes de se apresentar, ele falou ao Valor sobre os dilemas do engajamento em momentos de crise.

Para Beyssac, essa segmentação dos profissionais e a diferenciação no seu tratamento contribuem para manter o engajamento em tempos difíceis. "É preciso identificar pelo menos 10% dos profissionais com as melhores performances e não perdê-los", diz. Outro grupo que deve ser observado são os chamados "high potencials" . Trata-se de jovens, que no prazo de três ou quatro anos terão condições de assumir postos de liderança. "Não se deve cortar treinamentos para eles numa redução de custos, mas sim acelerar sua formação. Eles serão importantes para a continuidade do negócio", diz. De acordo com o consultor, o Brasil tem uma geração de jovens que está no caminho da liderança e deve ser preservada.

Aqueles que ocupam cargos estratégicos, em qualquer nível hierárquico, na opinião de Beyssac, também devem ser poupados. "O departamento de recursos humanos precisa ajudar no mapeamento dessas pessoas", diz. Cabe ao RH, sobretudo, mostrar o impacto futuro para o negócio caso a organização fique sem 20% de seus talentos.

Para reter esses grupos na empresa, o consultor aconselha que sejam mantidos seus benefícios, como incentivos de longo prazo, cursos de MBA, carros e até viagens. "As melhores empresas sabem que essa diferenciação em relação aos outros funcionários deve existir, mesmo durante uma crise", enfatiza. É preciso reconhecer também quais são os fatores importantes para engajar essas pessoas nesse momento.

Cerca de 20% dos outros funcionários poderão se sentir desmotivados por conta dessa política diferenciada, reconhece Beyssac. "Em compensação 70% dirão que a companhia escolhe e reconhece os melhores e que gostariam de fazer parte desses grupos", diz o consultor. Isso será possível, se eles sentirem que as decisões foram baseadas em regras transparentes e justas.

Em tempos de reestruturações, downsizings, fusões e aquisições, muitos talentos ficam disponíveis no mercado. Pode ser uma boa oportunidade para contratar ótimos profissionais. A questão, segundo o consultor, é que todas as companhias sabem disso. "É mais uma razão para as empresas escolherem bem quem estarão dispensando na crise. Nada pode ser decidido com pressa, sem uma reflexão maior", alerta. Beyssac acredita que empresas que demitem milhares de pessoas em um espaço curto de tempo, acabam perdendo pessoas importantes para o seu negócio.

O papel do CEO nesses momentos críticos para a organização também é fundamental para manter o alto engajamento dos funcionários. "Cabe a eles dar uma visão do que acontecerá após a crise", diz Beyssac. Ele ressalta que os verdadeiros responsáveis pela mensagem transmitida aos funcionários em épocas de crise são os gestores, presentes no dia-a-dia da organização. "É preciso cuidar deles também", finaliza.

O fundamental é encantar o cliente


De São Paulo

18/12/2008

Fonte: Valoronline

Muita determinação pessoal, produtos de origem conhecida, de boa qualidade, e bom tratamento aos clientes, seguindo a antiga receita de respeito e honestidade, são os elementos de sustentação da longa trajetória de sucesso da Casa da Bóia, instalada desde 1898 num casarão da Rua Florêncio de Abreu, no Centro de São Paulo. "O fundamental é encantar o cliente de uma forma que ele realmente lembre bem da empresa", defini Mário Roberto Rizkallah, neto de Rizkallah JorgeTahan, imigrante sírio, que, em 20 de maio de 1898, a primeira fundição de cobre do Brasil, conhecida depois como "Casa da Bóia", referência à intensa venda de material sanitário durante a campanha contra a febre amarela, desenvolvida por Oswaldo Cruz e Emílio Ribas, em 1903.


Acervo Casa da Bóia
Fachada antiga da loja no Centro: balconistas treinados como consultores


O bom atendimento é a marca registrada da empresa, segundo Rizkallah. A loja trabalha com mais de oito mil itens, entre vergalhões, barras, tubos, conexões, chapas, bobinas e fios de cobre, latão, bronze e aço, além de artigos plásticos industriais, hidráulicos, materiais para hobby e utensílios artesanais. "Nós temos um atendimento de balcão, que é uma coisa meio fora de moda nos dias de hoje. Mas o nosso balconista funciona como uma espécie de consultoria para o cliente, que as vezes não sabe do que precisa. O balconista é treinado para responder as dúvidas do cliente e orientá-lo no que ele precisa", conta ele. Isso para o pequeno consumidor. Os grandes consumidores, um elenco de mais de 5 mil empresas, negociam diretamente com a área de telemarketing, hoje com mais de 20 operadores, que faz o atendimento via telefone, fax ou internet.


Ou seja, trata-se de uma empresa tradicional e familiar, mas sempre em busca de adaptação aos novos tempos. Foi assim, por exemplo, nos anos 30, 40 e 50, quando a visão aguçada dos negócios e a presença dos filhos de Jorge Tahan na gestão da empresa levaram a Casa da Bóia a diminuir progressivamente sua produção para se voltar à comercialização, no atacado, das peças fabricadas pelas indústrias que começavam a surgir. "Não podíamos competir em termos de produção com as grandes indústrias brasileiras que se consolidavam no país", diz Rizkallah. "Por isso, nos transformamos num dos mais importantes representantes da indústria de metais, revendendo produtos, especialmente de cobre, latão e aço", explica.


A empresa passou a adotar, também, métodos profissionais de administração, inclusive para superar as crises cíclicas que o país atravessou, comenta Rizkallah. "Nós sempre soubemos enfrentar as dificuldades provocadas pelos vários planos econômicos, como o Plano Collor, com muita competência, sozinhos, apenas com a ajuda do pessoal da família. Mas resolvemos, há pouco mais de um ano , contratar um profissional do mercado, para atuar como gerente comercial e ajudar na área de vendas", diz ele.


A informatização foi outra aposta que deu certo, segundo Rizkallah. A empresa tem hoje um estoque de materiais não-ferrosos, distribuído em uma área de 1,8 metros quadrados, todo ele gerenciado por um sistema de controle informatizado. "O sistema interliga o estoque aos setores de venda, crédito e faturamento, permitindo uma operação rápida, eficiente e segura. O estoque é um elemento chave na estratégia para aumentar as vendas", afirma. A alta tecnologia apóia, igualmente, o setor de venda no atacado, a área de telemarketing, com mais de 20 operadores. "Pelo menos 90% das vendas da loja são realizada pelo telemarketing. E temos um site na internet que ajuda na divulgação dos produtos que trabalhamos para outras regiões do país", conta.


Formado em administração, com mestrado na área de contáveis, Rizkallah usa esse conhecimento com freqüência para resolver os problemas do dia-a-dia, porém, considera que a experiência prática que adquiriu ao longo dos anos junto com sua família é a grande força para superar as adversidades. (G.C.)

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Fazendas buscam sinergias regionais

Ediane Tiago, para o Valor, de São Paulo
18/12/2008
Fonte: Valoronline

As fazendas brasileiras reservam história, cultura, roteiros gastronômicos e muita diversão para quem decide tirar férias no campo. Os roteiros são cada vez mais sofisticados e vão do "leite ao pé da vaca" às tradições do interior. "As propriedades estão se especializando e a tendência é a oferta de serviços diferenciados no setor", comenta Jussara Rocha, superintendente de fomento e desenvolvimento do turismo da Secretaria de Turismo do Estado de Minas Gerais.

Apesar da vocação, o turismo rural é uma atividade recente no país. Nasceu há 22 anos na região de Lages (SC) com quatro fazendas e ganhou fama nas Serras Gaúchas. Hoje a Associação Brasileira de Turismo Rural (Abraturr) contabiliza 15 mil propriedades rurais e o setor é o que mais cresce dentro do turismo brasileiro, com uma média de 20% ao ano. Desse total, 60% têm até 50 hectares, o que mostra a grande inserção de pequenos proprietários no segmento. De acordo com a instituição, o turismo rural gera perto de 500 mil empregos diretos e indiretos no país. Destes, 35% são representados por mão-de-obra familiar e o restante por trabalhadores de origem local.

Minas e São Paulo formam um importante pólo de turismo rural, que reserva a história do período colonial em fazendas de café e gado leiteiro com grandes e históricas sedes. Nestas propriedades, os turistas conhecem a história da produção agrícola, que contou com trabalho escravo e teve importante participação na formação do país, atraindo imigrantes e gerando o desenvolvimento dos centros urbanos. Na região do café com leite há senzalas, arquitetura histórica e culinária genuinamente brasileira, com influência indígena, africana e européia. "O turismo rural também conquista pesquisadores interessados nas tecnologias de produção. Em nosso país, a agricultura é avançada e chama a atenção de brasileiros e estrangeiros", comenta Jussara.

A produção dos alambiques mineiros faz sucesso entre os curiosos e o avanço do biodiesel tem levado turistas para as lavouras e usinas de cana-de-açúcar em São Paulo. "Da mesma forma, as fazendas de engenho no Pernambuco e as de cacau na Bahia são procuradas", comenta Andrea Junqueira, presidente da Associação Paulista de Turismo Rural. Ela destaca que a atividade de turismo rural é essencialmente de experimentação e as fazendas precisam se estruturar para oferecer opções para os hóspedes. "Um bom bolo de fubá com café pode ser marcante para alguns. Outros buscam as cavalgadas e o contato maior com a cultura local e com os processos produtivos", destaca.

A lavoura de cafés especiais é o chamariz da Pousada da Bella Vista, no Sul de Minas. A fazenda produz café desde meados do século XIX e mantém um haras, com programação para cavalgadas. "Depois dos filhos criados, a nossa casa ficou grande só para o casal. Resolvemos transformar cômodos em apartamentos, refeitório e salão de festas e jogos", comenta Heloísa Helena Costa Pereira.

A decisão trouxe complemento na renda da propriedade. Atualmente, 5% da receita vêm do turismo rural, que gera caixa de R$ 90 mil por ano em média. Ao todo, Heloísa calcula que recebe 480 hóspedes anualmente. "Somos procurados por estrangeiros que querem acompanhar a floração, a colheita e o processo de secagem do café."

Andrea, da associação paulista, destaca a necessidade de integrar diferentes tipos de produção para aproveitar o potencial das regiões e a capacidade da agricultura familiar. Como fez a Bella Vista, que integrou sua produção, o empreendedor do turismo rural tem de buscar parcerias com outras propriedades, garantindo atividades que prendam o turista mais tempo no campo e o instigue a voltar. "Se uma fazenda tem leite, a outra tem alambique. Com experiências diferenciadas todos ganham", garante.

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