Qualidade MG-A

Ferramentas da Qualidade e artigos interessantes para aplicação profissional e empresarial. .: Produção .: Monteiro&Barbosa Associados .:

sexta-feira, junho 23, 2006

Pergunta feita a Roberto Shinyashiki

Resposta de uma pergunta que foi feita ao médico psiquiatra Roberto
 Shinyashiki, numa entrevista concedida por ele à revista "Isto É".

 O entrevistador Camilo Vannuchi perguntou a ele:

 - Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?

 Shinyashiki responde:
 A sociedade quer definir o que é certo. São quatro as Loucuras da
 Sociedade.

 A primeira é:
 - Instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse
 significados individuais.

 A segunda loucura é:
 -Você tem de estar feliz todos os dias.

 A terceira é:
 -Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo
 absurdo.

 Por fim, a quarta loucura:
 -Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe. Não
 há um caminho único para se fazer as coisas.

 As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.

 Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito.

 Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros
 se dizem infelizes justamente por causa do casamento.

 Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou
 amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao
 cinema.

 Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de
 pacientes terminais.

 Todos os dias morriam nove ou dez pacientes.

 Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte.

 Maior parte pega o médico pela camisa e diz:

 "Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu
 quero aproveitá-la e ser feliz".

 Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a
 felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se
 arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de
 ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a
 vida.

 "Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional."

quarta-feira, junho 14, 2006

Workshop no SAAEG


Workshop no SAAEG
   Aconteceu no SAAEG o workshop com as lideranças que definiu a Visão e a Missão da empresa, visando estabelecer esses parâmetros no processo de implantação da ISO 9000. Durante todo um dia de trabalho, André Marques, Diretor Técnico, e o grupo de trabalho envolvido diretamente nesse processo, estiveram reunidos para a definição das linhas de ação referentes a essa área de vital importância.
   A Monteiro&Barbosa Associados é a empresa encarregada da implantação da ISO no SAAEG, e vem desenvolvendo o trabalho através da ação de Sonia Monteiro, Diretora, e do Consultor José Paulo.

3o. Encontro Empresarial M&B-A ::: Meio Ambiente & Reciclagem

monteiro&barbosa
a
ssociados
 


 

  

Prezado(a) Senhor(a) 

 

 

A Monteiro & Barbosa Associados promove o "3o Encontro Empresarial ", em Guaratiguetá, para o qual tem o prazer em convidá-lo(a) à participar.

 

Tema:

"MEIO AMBIENTE E RECICLAGEM"

 Data:

22 de junho de 2006

Horário (início):

09:00h

Local:

Hotel, Resort & Golf Cube dos 500

Rodovia Presidente Dutra Km 60,7 - Guaratinguetá - SP (mapa anexo)

 

Palestrante:

Claudio Antonio de Mauro

(Mestre em geografia, autor de vários livros sobre
o assunto, consultor,  professor universitário, premiado com o VI
Prêmio EcoCidadão e ex-prefeito de Rio Claro)

 

 

Contamos com sua presença. Sendo impossível seu comparecimento, pedimos que indique o evento a uma pessoa com interesse na área.

O evento é totalmente GRATUITO,
mas pedimos que cada participante leve um (1) kg de alimento não
percível, que será doado a instituição "Casa de Apoio Sol Nascente" de
Guaratinguetá.

Sem mais para o momento, agradecemos a atenção e ficamos ao inteiro dispor para o que mais se faça necessário.

 

Atenciosamente,

 

Sônia Monteiro Guimarães

Diretora

elcp

  

R.S.V.P até o dia 19 de junho com Edvaldo Luciano
(12) 3125-9359 ou pelo e-mail
monteiroebarbosa@gmail.com 

 

"Excelência em Meio Ambiente - Garantir o futuro, só depende de nós" 

 



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- Taubaté - SP - 12010-600  
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sexta-feira, junho 09, 2006

A espada de Dâmocles


A espada de Dâmocles

Faustino Vicente

O poderoso Rei de Siracusa, a mais rica cidade da Sicilia, Dionísio (432-367 a.C), vivia num luxuoso palácio rodeado por guardas e empregados prontos à atender a todas as suas ordens e satisfazer todos os seus desejos. Ele comandava o império com poderes absolutos. Sua palavra era lei - uma ordem a ser cumprida sem questionamento.

Acontece que, um de seus melhores amigos, Dâmocles, vivia afirmando que ele, como tinha o destino do povo em suas mãos, era o homem mais feliz da terra. Cansado de tanto ouvir a mesma conversa, desafiou o seu súdito a vivenciar, por um único dia, todas as regalias de um reinado invejável.

Aceita a proposta, Dâmocles, colocou as vestes reais, recebeu o cetro e a coroa de ouro e foi apresentado à todos como o novo monarca. Para consolidar a sua autoridade o novo rei ordenou a preparação de um grande banquete, com a presença dos mais ilustres convidados. Assim foi feito.

Durante a belíssima festa Dâmocles foi saborear o vinho da mais antiga safra existente na adega, levou o copo aos lábios, inclinou a cabeça para trás e, como se tivesse visto um fantasma, empalideceu. Ele viu uma brilhante e pontiaguda espada direcionada para a sua testa, segura apenas por um fio de crina de cavalo. Ninguém poderia vê-la, somente quem estivesse sentado no trono real. Enquanto ele tremia de medo, o verdadeiro rei gargalhava a sua frente. Como sobre um mesmo fato as pessoas podem ter percepções completamente diferentes entendemos que, em vários aspectos, a humanidade caminha sob a "espada de Dâmocles".

Apesar das descobertas científicas e das inovações tecnológicas das últimas décadas, a sociedade continua a negar qualidade de vida à maior parte da população mundial. Causa? Ineficiência de políticas públicas que assegurem educação e saúde de excelente qualidade à população. Responsáveis? Parte da classe política que usa o cargo apenas em benefício próprio. Efeitos? A perversa desigualdade de distribuição de renda, geradora da pobreza que,segundo Mahatma Gandhi (1869-1948), é a mais cruel das violências.

A discriminação, o preconceito e o desrespeito aos mais elementares princípios de cidadania, são ainda uma vergonhosa evidência no nosso cotidiano. A avanço da informalidade no mundo dos negócios, fonte do maior império do planeta - o Quarto Setor - algo em torno de 13 trilhões de dólares. A crescente violência mundial. A falta de isonomia salarial entre homens e mulheres, quando na mesma função. Agressão ambiental. O desencanto de cerca de 500 milhões de desempregados no mundo. A corrupção e o tráfico de drogas.

Acentuado descompasso entre o desenvolvimento econômico e a geração de condições mínimas e dignas à população. A nossa postura democrática nas reações, mas autocrática nas ações.A insistência de conquistar a paz fazendo guerras. O equivoco cometido pelo homem ao distanciar-se de Deus.

Há soluções para esses problemas? Sim. Elas dependem de ações compartilhadas entre os poderes constituídos, a classe empresarial, ONGs e a responsabilidade de cada um de nós. Estruturação familiar e relacionamento interpessoal respeitoso. Planejamento educacional que ofereça oportunidades (iguais) para que o ser humano possa relevar e desenvolver competências técnicas e habilidades ecléticas. Conduta ética de cada um de nós. Preservar a capacidade de nos indignar, e agir, diante das injustiças sociais. No campo da espiritualidade a solução está na vivência dos dois mandamentos mais importantes contidos nos Livros Sagrados - amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo.

Quanto ao mundo dos negócios a tendência é que, no futuro, existam apenas dois tipos de organizações, independentemente de porte e segmento, "aquelas que se apaixonaram em se reinventarem, e aquelas que estarão agonizando agarradas as suas ultrapassadas certezas".

Faustino Vicente é consultor de empresas

Produção enxuta pela redução de resíduos


Produção enxuta pela redução de resíduos

ECO AmbientalAs empresas podem, através de métodos e técnicas adotadas com sucesso, implantar uma boa forma de fazer negócio: produzir mais com menos

Luiz Carlos De Martini Junior

Apoluição é desperdício e aumenta o custo do produto ou do serviço, sem agregar valor. Para ampliar a capacidade de competição, muitas empresas adotam o sistema de manufatura Produção Enxuta, em inglês Lean Manufacturing ou Lean Production, cuja essência é a ausência de desperdício. No cenário brasileiro, estas mesmas empresas necessitam de soluções complexas e caras para o atendimento da regulamentação de leis de controle ambiental cada vez mais severas.
É neste contexto que o conceito de poluição passa a ser entendido como desperdício e uso ineficiente de matérias-primas e Luiz Carlos De Martini Junior insumos, os quais se refletem na eficiência econômica do processo produtivo. A gestão ambiental na indústria passa a ter, portanto, um papel relevante no que concerne à redução dos custos de produção. Além dos custos diretos decorrentes da poluição, somam-se os custos indiretos gerados por multas por infrações à legislação ambiental, atrasos de produção devido a interdições e ações judiciais promovidas pelo Ministério Público, além de indenizações e multas em caso de acidentes com danos ambientais.
Neste sentido, o gerenciamento dos recursos de produção para obter maior produtividade é um dos mais importantes elementos da atuação dentro de uma indústria. Recursos de produção são as matérias-primas e os insumos (água, energia, combustíveis e outros), a mão-de-obra, os recursos naturais (por exemplo, solo, capacidade de dispersão do ar, a capacidade de diluição de efluentes nos corpos d’água e a cobertura vegetal), os equipamentos, os processos industriais, os resíduos e demais subprodutos, tanto diretos quanto indiretos (fornecedores e receptores). A produtividade deve ser entendida como obter a maior produção com o menor custo possível, incluindo os custos ambientais.
O destino final dos resíduos gerados pela atividade humana é um problema ambiental. Tudo gera resíduo. Um inocente cafezinho, o papel da bala, embalagens usadas, refugo de produção, produto devolvido do cliente. O que fazer, então? É razoável esperar para chorar o leite derramado? Sem muito esforço, percebe-se que não. E é fácil fazer-se entender que o certo é não deixar o leite derramar. Para isto, a filosofia básica da redução de resíduos é eliminar o problema na fonte de geração, ou seja, dentro do processo produtivo (in plant control), ao invés de empregar onerosas tecnologias de controle e tratamento dos resíduos gerados, usualmente no final do processo produtivo (end of pipe). Minimizar a geração e intensificar o reaproveitamento de resíduos constitui a base de qualquer programa de gerenciamento de resíduos. Portanto, redução de resíduos é uma estratégia preventiva, que evita a geração do problema.
Porém, práticas gerenciais convencionais adotadas por décadas que insistem em administrar os resíduos industriais como uma perda inevitável do processo produtivo, e não como uma oportunidade de redução de custos, podem ser de difícil substituição, pois, em muitas organizações existem obstáculos que inibem a adoção desta possante ferramenta gerencial. Estes obstáculos precisam ser identificados para que possam ser vencidos. O principal obstáculo éo institucional, provocado pelo “choque do novo”, a resistência à mudança de modelos e tecnologias arraigados na cultura da empresa, gerando o receio da falta do controle do processo produtivo na forma que ele é há muito tempo dominado por gerentes, supervisores, técnicos e operadores.
Esta barreira aparece através da resistência burocrática, comportamentos conservadores, desinteresse em conhecer ou ajudar em modificações, falta de tempo disponível etc. O remédio para acabar com este obstáculo já é habitualmente receitado em outros programas de gestão: o comprometimento da liderança da empresa e uma abordagem sistemática para a redução de resíduos.
O obstáculo técnico está relacionado com a falta de informações sobre técnicas disponíveis e a falta de orientação para a aplicação de abordagens de redução de resíduos aos usos e necessidades de cada empresa. Técnicas de redução de resíduos e as ações necessárias estão disponíveis através de literatura técnica e consultorias especializadas.
O último obstáculo é o econômico, pois nem todos os projetos de redução de resíduos possuem uma atratividade do retorno do investimento considerada adequada. As oportunidades de redução de resíduos que necessitam de investimento devem ser atraentes financeiramente quando comparadas com outras oportunidades de investimentos.
Desta forma, a avaliação econômica de um projeto relacionado com redução de resíduos é decisiva para a compreensão de quem decide em qual opção de investimento vai colocar parte dos recursos de uma empresa. Em contraste, alternativas que envolvam recursos financeiros baixos ou nulos não devem se prender em avaliações econômicas mais aprofundadas, e sim, prontamente executadas.
A redução de resíduos pode ser adotada em indústrias de qualquer porte, inclusive nos pequenos geradores de resíduos que possuem duas características importantes: a soma dos impactos ambientais provocados por pequenos geradores ultrapassa o impacto de um grande gerador e; em função de suas limitações de recursos (financeiros, humanos e tecnológicos) e pequena escala; não se sentem estimulados para realizar investimentos em equipamentos de controle ambiental.
Enfim, com os custos crescentes e as conseqüências negativas provocadas pelos resíduos, as empresas percebem as vantagens em não gerar resíduos, ou pelo menos produzi-los em menor quantidade. Os controles convencionais dos resíduos gerados, que prevêem a inclusão de equipamentos ou serviços no final do processo produtivo, sem modificação ou interferência no processo produtivo, vêm sendo trocados por outra abordagem: a redução de resíduos na fonte de geração, ou seja, dentro do processo produtivo.
Com isto, a redução de resíduos se consolida como uma alternativa que, ao beneficiar o meio ambiente, promove retorno financeiro à empresa. Porém, as palavras mágicas “produzir mais com menos” não são adotadas por algumas empresas porque alguns obstáculos (institucional, técnico e econômico) impedem o prosseguimento de esforços iniciais, provocando a desmotivação e o descrédito com a redução de resíduos como possante ferramenta gerencial. Por isto, estes obstáculos precisam ser identificados para que possam ser vencidos.

Luiz Carlos De Martini Junior é mestre em Engenharia de Produção pela COPPE/ UFRJ e engenheiro químico pela UFRJ e autor do Livro “Redução de Resíduos Industriais: como produzir mais com menos” - demartini@demartiniambiental.com.br

A ISO 9000 nos serviços: o lado bom, o ruim e o feio


A ISO 9000 nos serviços: o lado bom, o ruim e o feio

Implementar a ISO 9001 em um ambiente de serviços é uma aventura contínua, assim como certamente também é na manufatura

John Scott

A Palmetto GBA, uma das maiores processadoras contratadas de apólices de planos públicos de saúde dos Estados Unidos, tem focado em melhoria contínua do processo durante cerca de 12 anos. Nós processamos milhares de apólices diariamente, e somos bons no que fazemos.
Os Centros de Serviços de Auxílio e Cuidados Médicos (Centers for Medicare and Medicaid Services - CMS) são nossos principais clientes. Assim como tudo na indústria dos serviços de saúde, a mudança é a única constante. Em 1998, os CMS começaram a exigir a certificação em ISO 9001 para seus novos contratos de negócios. Por isso, a alta administração da Palmetto GBA decidiu que, se os CMS achavam que a ISO 9001 era uma boa coisa para novos contratos, deveríamos buscar a certificação para os nossos contratos já existentes.
Fiquei muito contente por termos decidido adotar a ISO 9001 pois, como diretor de gerenciamento total da qualidade (TQM) minha função é implementar uma cultura de melhoria contínua ao longo de toda a companhia. Vejo a ISO 9001 como um veículo para educar nossa equipe de gerenciamento em pensamento sistêmico, abordagem por processos e ferramentas e técnicas de melhoria do processo. Estes são requisitos básicos de conhecimento para gerentes de manufatura, mas são estranhos à nossa indústria de serviços.
O desafio era exatamente esse. Pegar uma organização de serviços não-manufatureira cujo principal produto era processamento eletrônico de transações e obter certificação em ISO 9001. Muito fácil! Temos aproximadamente 3.500 funcionários em oito locações em 180 departamentos diferentes. No começo, eu era muito inexperiente em ISO 9001.

O lado bom
A implementação de um sistema de gestão da qualidade (SGQ) esclareceu o modo como fazemos negócio. Estabelecemos métodos formais para medir nossos processos e tomar ações corretivas quando os resultados não atingiam as metas, algo que não fazíamos anteriormente. Revisões freqüentes de gerenciamento facilitam a melhoria e vincular o SGQ ao nosso planejamento estratégico fortalece tanto o SGQ como o planejamento estratégico.
A política da qualidade dá suporte a nosso manual da qualidade. Ela fornece foco em melhoria e nos faz pensar como realmente é o SGQ. Todo auditor externo nos questiona sobre a política, o que reforça e enfatiza tais princípios. A ISO 9001 requer medição. Estabelecer objetivos mensuráveis em todos os níveis ajuda os funcionários a entenderem o que se espera deles, além de fornecer um benchmarking para atividades gerais de melhoria.
Nossas reuniões trimestrais de revisão de gerenciamento são maravilhosas. A alta administração identifica as oportunidades globais de melhoria e colabora com as melhores práticas durante as mesmas. A gerência também compartilha idéias de melhoria quando as metas operacionais e estratégicas não estão sendo atingidas.
A implementação de ISO 9001 facilitou a educação em todos os níveis em ferramentas de TQM e a melhoria do processo. Análise da causa-raiz, gráficos de controle e variação no processo fazem parte de um vocabulário que nós da indústria de serviços realmente entendemos.
Nossos funcionários possuem documentação claramente definida para realizar seu serviço. Se eles a cumprem, sabem que estão fazendo exatamente o que deveriam fazer. Ocorrem menos erros, o que deixa os clientes satisfeitos e a gerência feliz.
Os membros da gerência gostam do SGQ por diversas razões:
· Eles sabem que todos produzirão um produto consistente caso estejam seguindo as instruções de trabalho.
· Eles possuem um local central para fazer mudanças e correções no processo.
· Eles entendem seus processos muito melhor, pois são responsáveis por documentá-lo, mantê-lo e melhorá-lo.
· Este entendimento do processo ajuda os gerentes a saberem o que medir, o que é a base para toda a melhoria.
Nossos clientes impressionam-se com a facilidade com a qual podemos fornecer informações e dados para seus numerosos requisitos de auditoria. Algumas de nossas documentações de processos do SGQ estão sendo compartilhadas em nosso país com outras empresas de planos de saúde.
A ISO 9001 também dá suporte a nosso programa interno de conformidade, que é semelhante ao requerido pelo relatório financeiro da Sarbanes-Oxley. Estamos indo em direção à identificação dos indicadores e instruções de trabalho relacionados aos nossos objetivos de controle, para que eles possam ser mais bem monitorados pela gerência e por meio do processo de auditoria interna da ISO 9001.
Medição e melhoria contínua são de extrema importância para que a Palmetto GBA atinja com sucesso os objetivos e metas do planejamento estratégico e o SGQ da ISO 9001 dê suporte aos nossos numerosos condutores e iniciativas mensuráveis do planejamento estratégico.

O lado ruim
A primeira coisa que fiz quando descobri que seria o representante da diretoria para a iniciativa de ISO 9001 foi participar de um treinamento de cinco dias de auditor líder. Pensei que observando uma implementação do ponto de vista do auditor, eu poderia ter idéias sobre como implementar a ISO 9001.
Então, o que eu realmente aprendi? Aprendi muito sobre a arte da auditoria, algo sobre requisitos detalhados da ISO 9001 e o suficiente sobre terminologia da manufatura para me deixar enjoado e confuso. Controle do Projeto? Identificação e rastreabilidade? Produto não-conforme? Manipulação e embalagem? Como você embala um serviço? Preservação do produto? Prestação de Serviços? Calibração? Calibração! Nós trabalhamos com apólices. Como se calibra uma apólice?
Para piorar a confusão da implementação, nosso cliente nos avalia pela qualidade do desempenho de nossos processos críticos. Por exemplo, nosso principal processo é o pagamento de apólices, o qual realizamos em sete de nossas nove locações. O CMS nos avalia pela qualidade com que fazemos isto, portanto a alta administração decidiu que a certificação em ISO 9001 seria por processo em vez de ser por locação ou organização, como faz a maioria das companhias.
Certificamos primeiramente nosso processo de revisão médica em diversas locações. Isto fez sentido pois tínhamos muitos especialistas nos processos disponíveis para liderarem a implementação e certificação de todo um processo. As lições aprendidas em uma locação eram incorporadas em outra locação e as melhores práticas ainda são compartilhadas ao longo de todas as locações. Entretanto, certificar-se por processos transforma a auditoria interna e externa em um desafio (ler "O lado feio").
Seguindo em frente com a implementação, as principais pessoas responsáveis pela implementação do SGQ são os líderes de projeto (ou processo) e o representante da administração. Eu não sabia o que significava ser um representante da diretoria na época. Aprendi rapidamente que esta é uma grande responsabilidade e que fazer um bom trabalho requer suporte de todos os níveis da organização.

Nem tão ruim assim
Cada líder de projeto possui responsabilidade pela implementação e certificação em um ou mais departamentos/processos em diversas locações. Cada locação teve uma programação diferente para implementação, portanto após quatro anos de implementação cerca de 90% de nossa organização está certificada. A organização deve estar inteiramente certificada até o final de 2005. Normalmente, procuramos todos os negócios relacionados à saúde, novos ou existentes, disponíveis e se eu tiver muita sorte e continuarmos a crescer, talvez nunca sejamos totalmente certificados.
A maioria dos departamentos foi capaz de implementar a ISO 9001 e certificar-se dentro de cerca de 12 meses. Achamos melhor criar instruções de trabalho de nível corporativo para os elementos da ISO 9001 que se aplicam a toda a corporação. Para nós, estas instruções são: controle de documentos, controle de registros, treinamento, revisão de gerenciamento, auditoria interna, ações corretivas e preventivas e planejamento da realização do produto. A Tabela 1 é uma lista das principais tarefas de implementação e dos responsáveis por cada uma delas.

O lado feio
Eu não tinha idéia de como uma auditoria interna pode ser difícil. Vejamos: 180 departamentos, 180 gerentes e dois funcionários auditados por departamento, além dos diretores, vice-presidentes e auditorias especiais. Isto resulta em cerca de 700 auditorias por ciclo.
Nossos ciclos de auditorias duram dois anos. Preparação para auditoria, realização da auditoria, escrever relatórios das auditorias, responder as questões - cerca de oito a dez horas por auditoria. O resultado disso são 5.600 a 7.000 horas/auditor por ciclo de auditoria. Ufa! Algum gerente gostaria de convocar auditores para ajudar?
Se um auditor interno voluntário puder auditar durante 80 horas por ciclo, precisaremos somente de 70 auditores. Contando o treinamento de auditores e o retreinamento anual durante mais 40 horas, precisaremos de 70 pessoas durante cerca de um mês. Como você pode ver, isto se tornou um pesadelo.
Então, após dois anos de luta com os auditores internos, acabamos contratando dois auditores certificados experientes para auditar em período integral. Eles continuam a fornecer uma visão nova sobre como melhorar nosso SGQ (Quer saber como confundir um organismo certificador? Implemente a ISO por processos em nove locações diferentes da organização e então sente-se, sorria e observe o certificador enlouquecer).
Os auditores externos são o lado feio! Sim, eu disse isso mesmo. Se nosso certificador estiver lendo isso, sinto muito, mas não tanto. Se os auditores fossem, mesmo que remotamente, consistentes na tradução dos requisitos definidos na norma, eu seria um feliz representante da diretoria.
Deixe-me dar um exemplo do que é feio. A cláusula 4.1.b afirma que a organização deve definir a seqüência e a interação dos processos. Bem, em minha concepção, se os processos estiverem funcionando minimamente, então alguém já definiu esta seqüência e interação. Certo? Não mesmo.
Os auditores dizem que você deve ter um documento. Certo, então eu criei um documento como o diagrama de SGQ baseado no processo, na frente da norma, e inclui nossos 17 processos com círculos e setas, além de um parágrafo explicando cada processo.
Não! Os auditores precisam de mais detalhes do processo. Então cada uma das 17 áreas gerou um fluxograma mostrando a seqüência e a interação de seus processos e acrescentou uma etapa de medição e monitoramento e outra para gerenciamento da mudança.
De jeito nenhum! Os auditores desejam entradas e saídas. Isto foi acrescentado. Não! Os auditores querem todos os registros criados ali. Feito! De jeito nenhum! Os registros precisam ser definidos na lista de retenção de registros (alguém já viu realmente um requisito na norma exigindo uma lista de retenção de registros?). Pronto.
Nem pensar! Você precisa somente de registros da qualidade na lista de retenção de registros. Registros da qualidade? Onde está documentado o requisito por registros da qualidade na norma? O que é um registro da qualidade? Apenas nas mentes dos auditores os requisitos podem ser traduzidos de formas tão diferentes.
Estamos lentamente simplificando a bagunça exigida nas mentes dos auditores e tornando nosso SGQ mais eficiente para nós. Tudo o que se faz para o SGQ deve ter sentido e agregar valor ao negócio. No exemplo de seqüência e interação, criamos um grupo de trabalho para definir e documentar requisitos que agregam valor sensivelmente para fluxos que são úteis para nós.
Algumas das outras questões nas quais temos dificuldade relacionam-se a ação preventiva e corretiva. Análise de causa-raiz é uma daquelas frases estranhas da manufatura. E o plan-do-check-act (planejar-fazer-checar-agir)?
Nós tivemos treinamento em melhoria do processo, mas nunca tivemos que usá-lo formalmente. Entendemos seu conceito, mas quando recebemos algo que foi descoberto na auditoria e tivemos que tomar a ação corretiva, nossa análise de causa-raiz não foi perfeita. Quando se implementa uma correção com base em uma causa-raiz ruim, fica difícil verificá-la, por isso nossa verificação da implementação também era ruim.
Estamos corrigindo isso fornecendo à nossa equipe de gerenciamento um treinamento realmente útil de melhoria do processo e gerenciamento do projeto. A alta administração forneceu a cada equipe de gerenciamento um projeto real de melhoria do processo, focado na melhoria dos indicadores de requisitos do cliente.
Contratamos um especialista de melhoria treinado para facilitar a equipe durante o processo de melhoria, que inclui análise da causa-raiz e verificação dos resultados. Isto funcionou sem problemas. A realização de um projeto real de melhoria trouxe significado às ferramentas utilizadas e agora os gerentes as conhecem. Tome isso, senhor auditor!

Nem tão feio assim
Depois de tudo isso, devo admitir que o processo de auditoria externa realmente agrega valor ao nosso SGQ de diversas formas e os auditores são bem flexíveis quando se trata de requisitos que não fazem sentido ou que não agregam valor à nossa organização. Eles são razoáveis quando se trata de elementos tais como controle de medição e dispositivos de monitoramento, preservação do produto, propriedade do cliente e identificação e rastreabilidade, pois estes requisitos são mais adequados a um ambiente de manufatura do que a uma companhia de serviços.
Além disso, os auditores externos nos ajudaram a identificar inconsistências em nosso manual da qualidade. Eles nos mostraram como tornar mais eficaz a revisão do gerenciamento e também forneceram oportunidades de melhoria que realmente fortaleceram nosso SGQ. Eles foram rígidos? Às vezes. Mas, no geral, apontaram áreas que verdadeiramente necessitam de melhoria. Portanto, o lado feio na verdade não é tão feio assim.
Implementar a ISO 9001 em um ambiente de serviços é uma aventura contínua, assim como certamente também é na manufatura. É algo que nunca termina, pois nunca se consegue alcançar totalmente a utopia do TQM. O importante é continuar a aprender e a melhorar e é disso que se trata o processo de certificação em ISO 9001.

© Tradução Autorizada - Fonte: Revista Quality Progress, setembro de 2005, pp.42-48. Traduzido por Mariana Zambon Ferreira, do Setec Consulting Group - John Scott, director of total quality management, GBA LLC, Camden, SC.